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Centros de Acolhimento oferecem atendimento referencial à usuários de crac

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  • 10/2/2011
  • 18h17min

Os Centros de Referência e Acolhimento aos Usuários de Drogas (CRAUD) foram criados para acolher, proteger e atender dependentes químicos. Até o momento, foram inauguradas 3 unidades que funcionam na Região Metropolitana do Recife, Sertão e Agreste Setentrional. O projeto é implantado pelo Governo do Estado através da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH) e faz parte do plano de ações integradas de enfrentamento ao crack que incluí mais 8 Secretarias estaduais.

O objetivo dos Centros é servir como uma porta de entrada para o tratamento do usuário, fortalecendo os vínculos do indivíduo com a família, além de oferecer um serviço integrado com outros órgãos (CAUD – Centro de Atendimento ao Usuário de Drogas, internamento hospitalar, CAPS – Centro de Atenção Psicossocial e comunidade terapêutica).

O ponto de partida das atividades são as triagens que identificam a necessidade real de cada usuário e definem a qual tratamento ele deve ser submetido. A partir do primeiro contato é feito o cadastramento do usuário e um acompanhamento contínuo das suas necessidades.

A rotina dos Centros conta com 5 refeições diárias (café-da-manhã, lanche matinal, almoço, lanche da tarde e jantar). No começo do dia, o usuário é recebido por arte-educadores que realizam com ele atividades lúdicas e culturais. Além disso, uma sala de repouso é disponibilizada para que o usuário descanse e, se necessário, quando apresentar melhoria no estado físico, seja assistido por psicólogos e assistentes sociais. O atendimento é feito de forma individual ou em grupo, dependendo de cada caso.

Parte importante na recuperação de usuários de drogas, a família também participa das atividades do centro através da formação de grupos familiares.

O intuito é resgatar os vínculos fragilizados pelo vício.

Além de oferecer atendimento na própria sede, uma iniciativa pioneira do projeto é a criação dos consultórios de rua. As unidades móveis possuem grupo de atendimento que realizam abordagem social aos usuários aonde ele estiver. As atribuições do grupo são realizar trabalhos de redução de danos.

A equipe dos consultórios de rua conta com um técnico social, enfermeiro e um redutor de danos especializado na instrumentação de dependentes químicos. A solicitação do atendimento pode ser feita através do telefone 0800-2816093 ou diretamente no órgão. Podem procurar os centros usuários dependentes químicos de qualquer droga ilícita ou lícita, mas o foco é usuários de crack.

Segundo o coordenador de ações socioassistenciais aos usuários de drogas, Rafael West, os Centros estão se tornando, gradativamente, serviços de referência entre a população no trato aos usuários de crack. “Estamos realizando um mapeamento do território para articular parceiros e realizando intervenções nos locais. A procura vem aumentando a cada dia e notamos uma solicitação maior de familiares de usuários”, constata.

De acordo com o Secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Roldão Joaquim, o trabalho desenvolvido pelo CRAUD reforça a rede de atenção a usuários de drogas e seus familiares. “Anteriormente no estado não tínhamos um local para tratar esse público, hoje, contamos com os CAUD I, CAUD II e o CRAUD, ou seja, o governo esta tratando de forma humanizada todos os dependentes químicos”, completa.

O Centro de Atendimento ao Usuário de Drogas (CAUD) tem por objetivo promover ações socioassistenciais e educativas que garantam atenção e acolhimento às pessoas que possuam dependência química. Existem dois tipos de Centro de Atendimento: o CAUD I (onde o usuário recebe atendimento ambulatorial, realiza reuniões com a família, além de palestras e atividades culturais) e CAUD II (abrigamento para os dependentes químicos que precisam de tratamento, durante um período de 3 a 6 meses). Tanto o CRAUD quanto o CAUD fazem parte do programa Vida Nova.

A Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH) pretende ainda firmar uma parceria com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), de São Paulo, que possui mais de 20 anos de estudo sobre o assunto. Representantes do órgão irão aplicar em Pernambuco o mesmo mapeamento de usuários de crack e outras drogas que foi realizado na capital paulista.

“Com esse mapeamento nós vamos poder direcionar as políticas públicas. Vamos identificar as carências desses usuários, perceber qual a faixa etária que é mais afetada e se eles possuem emprego, escolaridade e documentos. Dessa forma, traçaremos o perfil do usuário para que possamos atuar de uma maneira mais efetiva e eficaz”, afirmou o Secretário Executivo de Desenvolvimento e Assistência Social, Acácio de Carvalho.

Os especialistas que realizaram o mapeamento, Solange Nappo e Elisaldo Carlini, ministraram uma palestra, no último dia 15, para a equipe do Plano Estadual de Enfrentamento ao Crack, no Auditório da Secretaria Executiva de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH). O tema abordado foi a cultura e origem do crack em São Paulo.

Para a professora Solange Nappo, o Plano Estadual de Enfrentamento ao Crack está muito bem organizado. “São Paulo, por exemplo, não possui um plano tão bem estruturado como esse que vemos aqui. Não existe nada parecido com isso lá por conta da total indiferença do setor público e privado”, declarou.