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Cadeia de Saloá recebe investimento em ressocialização

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  • 10/2/2011
  • 11h52min

O município de Saloá, à 267 Km da capital, agora é executor de um projeto piloto de ressocialização na cadeia pública local. No último dia 30, o secretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH), Roldão Joaquim, foi ao município acompanhar a inauguração da ampliação da cadeia da região, que agora conta com tele-sala, espaço para encontros conjugais, sela apropriada para receber deficientes físicos e uma quadra poliesportiva.

A ideia de construir o espaço partiu, de acordo com o gestor Erasmo Rodrigues, do juiz Enéas Oliveira que, sensibilizado com a precariedade da cadeia, notificou a necessidade de oferecer melhores condições aos re-educandos. “Ao ver a situação dos detentos, percebeu-se que para atingir o propósito da ressocialização era preciso investir em dois pilares: educação e trabalho”, contou. Por isso, Dr. Enéas mobilizou agentes de diversas áreas, tais como os juizes das comarcas vizinhas, câmara de vereadores, padres, delegados e comerciantes, com a missão de promover melhorias na carcerária.

Para o juiz Enéas, atividades de lazer e educação possuem grande relevância no processo de ressocialização e na luta pelos direitos humanos. “A partir do momento que decidimos investir nestas áreas, devolvemos aos detentos a dignidade humana e os direitos estabelecidos pela lei de execução penal. Com a medida é possível perceber uma grande melhora da situação carcerária de Saloá. Queremos aplicar esse mesmo sistema em outras cadeias para que a ressocialização seja mais efetiva”, comentou.

A partir de reuniões quinzenais com os agentes e mensais com membros da SEDSDH, iniciou-se o planejamento da obra. De acordo com o administrador do local, os recursos para a construção do espaço foram adquiridos exclusivamente através de doações de materiais, tanto das prefeituras de Paranatama, Iati, Águas Belas e do município de Saloá quanto dos demais agentes envolvidos. Enquanto à mão-de-obra foi dos próprios re-educandos, além do trabalho voluntário de um engenheiro e de um arquiteto.

O diferencial é que enquanto os detentos não estavam envolvidos com as obras, estavam em sala de aula sendo alfabetizados. A Cadeia Pública adotou como método de ensino a Educação para Adultos do educador Paulo Freire, para beneficiar cerca de 90% dos re-educandos que, como informou Rodrigues, eram analfabetos antes do início das aulas. Agora, passado mais de um ano, todos os detentos sabem ao menos escrever o nome. Ainda de acordo com o gestor, além da educação e do trabalho, os re-educandos também passaram a ter acesso a atividades culturais, como o coral.

Para Roldão Joaquim, por dois motivos as modificações dentro da Cadeia Pública de Saloá são louváveis. “Primeiro pelo fato de a iniciativa ter partido do poder judiciário, através do Dr. Enéas Oliveira, que, ao constatar as péssimas condições do local, mobilizou a sociedade para conseguir as melhorias necessárias. Depois, pelo objetivo ter sido alcançado estritamente através de doações e hoje oferecer condições reais de ressocialização aos detentos”, ressaltou.