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Servidores da Funase recebem capacitação sobre sexualidade

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  • 19/9/2016
  • 11h04min

Com a proposta de mudar ainda mais o olhar e o respeito em relação ao público de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e intersexuais (LGBTTI), a palestra “Direitos da População LGBT e Sexualidade” teve a participação de 100 servidores de todas as unidades da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) de Pernambuco. O seminário foi realizado na manhã desta quinta-feira (15) no auditório do Centro de Formação dos Servidores de PE (Cefospe).

O evento integra a programação do Setembro da Diversidade, mês de conscientização organizado pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude, sob a gestão do secretário Isaltino Nascimento, através da Secretaria Executiva de Segmentos Sociais (SESES), dirigida por Sérgio Moura, e da Coordenadoria LGBT, comandada por Marcone Menezes. 
 
Na abertura, o presidente da Funase, Moacir Carneiro Leão, salientou que o conhecimento adquirido deverá ser multiplicado, trazendo ações positivas no cotidiano dentro das unidades. “Espero que este seminário sirva de reflexão e que o aprendizado seja aplicado dentro das unidades para um melhor atendimento dos socioeducandos”.
 
O encontro será apenas um pontapé inicial, segundo Marcone Menezes, já que a formação da Funase terá várias etapas. Ainda este mês, haverá exibição de vídeos, disponibilizados para cada unidade, com debates sobre orientação sexual e identidade de gênero.

Pesquisa – No início da manhã, a pedagoga Lúcia Bahia apresentou a pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), realizada em 2015 com professores da rede municipal de ensino, sobre as representações de diversidade sexual e as relações deles com a educação continuada.
“Para pensar a sexualidade, as pessoas precisam trabalhar com seus conceitos e moral antes de lidar com o público LGBT. A minha pesquisa aponta uma mudança de postura dos professores em relação às questões de orientação sexual e a diversidade, após uma formação continuada. Por isso, a capacitação, como a de hoje, é importante para os servidores da Funase”, disse Lucia.
Em seguida, o promotor de justiça Maxwell Vignoli, especialista na área de infância e adolescente, onde atuou por 10 anos, abordou as questões como a condição afetivo-sexual (orientação), a identidade de gênero e a transexualidade. Mostrou ainda os desafios de como relacionar o tema com a lei do Sinase e também dentro das unidades, onde já realizou visitas.
“Podemos aplicar o tema da sexualidade no Plano Individual de Atendimento (PIA) tanto na auto-observação, quanto no retorno ao convívio familiar deste adolescente. O desafio maior seria como evitar o abuso sexual e a liberdade desta sexualidade pela falta de conhecimento”, disse Maxwell. 
O promotor Maxwell considera fundamental existir uma coordenadoria LGBT no Estado que trabalhe as políticas desta população vulnerável, que segundo ele possui direitos violados primeiro no ambiente familiar, e que se estende à sociedade, seja na escola ou no trabalho.