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A arte de reciclar objetos e transformar vidas

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  • 06/11/2012
  • 11h54min

Nas mãos da funcionária pública Elza Monteiro, 65 anos, tudo ganha vida. Garrafa Peti se transforma em árvore da natal, raspa côco dá origem a porta chaves e o velho disco vinil, agora recebe frutas… É assim que a professora do Centro da Juventude – CJ de Santo Amaro transforma o que não serve para alguns, em objetos úteis para outros. Mas, além de fazer lixo virar arte, ela também dá novos contornos à vida.


Há cinco anos, Elza Monteiro dedica pelo menos duas horas do dia à sala de aula. Ela ensina a 15 mães da comunidade de Santo Amaro o que aprendeu desde pequena. “Cresci em meio a arte. Meus pais eram artesãos. Lembro que minha mãe fazia cada coisa linda com flores, tecidos… Isso sem falar dos meus avós, que eram grandes profissionais. Meu avô, por exemplo, era um excelente escultor, ele fazia muitas imagens de santos”, lembrou Elza.


A influência da família foi determinante na vida da artesã. Apesar disso, Elza deu vida a profissional que existia dentro dela por acaso. “Trabalhei na SEDSDH por muito tempo, sempre atras de um birô e, para ser sincera, nunca gostei. Uma ex-chefe minha foi quem me colocou aqui para trabalhar no CJ. Quando cheguei foi que descobri um outro lado da vida profissionais. E hoje espero me aposentar aqui”, revelou.


No CJ, as aulas de artes acontecem de segunda à quinta-feira, sempre das 10h às 12h. As alunas apreendem todas as técnicas mais utilizadas para reciclar objetos de vidro, papel, plástico, etc. “As alunas chegam aqui sem noção nenhuma do que é artesanato. Não sabem pegar em um pincel, mas tenho que ir com calma, lapidando, como um ourives faz com uma pedra preciosa”, conta Elza.


Por conta do carinho com a alunas, Elza é considerada como uma mãe. A dona-de-casa Meguinion Pereira de Moraes, 56 anos, é uma das mais satisfeitas com as aulas. “Já passei por muita coisa nessa vida, inclusive, uma depressão. Mas foi aqui na sala de aula que consegui superar muita coisa. Essa professora é responsável por tudo isso”, disse. Meg, como é conhecida, está há 6 meses no curso.


Assim como ela, existem outras pessoas que já foram beneficiadas por conta das aulas. A exemplo de uma aluna que sofreu derrame, comprometendo sua coordenação motora, e após o início do curso está melhor a cada dia, já confeccionando, recentemente, um lindo porta jóias com uma lata velha de biscoitos.


No próximo mês, as alunas terão a oportunidade de mostrar toda a produção em um evento no Centro da Juventude. No dia 05 de dezembro, será realizada uma grande exposição. Intitulada de “Artesanato Mães de Santo Amaro”, o evento promete gerar renda para as novas artesãs. “Todo o material que é feito pelas alunas podem ser vendidos por elas. Aqui no nosso grupo, tem gente que já está ganhando dinheiro com arte”, afirmou.