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Governo do Estado lança campanha com foco na intolerância religiosa

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  • 15/8/2012
  • 10h06min

Representando Laura Gomes, secretária de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Paulo Moraes, secretário executivo de Justiça e Direitos Humanos, lançou, nesta terça-feira (14), a campanha “Igualdade Racial é Pra Valer. Intolerância Religiosa Não!”, que visa conscientizar a população pernambucana quanto a importância da promoção da cultura de paz e o respeito às diferenças. O ponta-pé inicial da atividade reuniu gestores públicos, lideranças religiosas, professores e estudantes no Museu da Abolição, no Recife. A iniciativa é fruto da parceria com a Fundação Cultural Palmares – MinC e o Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial – CEPIR.

A campanha passa a ser divulgada através de oficinas, palestras e debates, além de material gráfico, que será distribuído durante as visitas aos municípios pernambucanos. A partir da próxima semana, profissionais da SEDSDH e do CEPIR estarão nas cidades da Zona da Mata Norte do Estado divulgando a temática. Em setembro, o trabalho será intensificado nas seis Regiões Político Administrativas – RPA’s do Recife junto as escolas, unidades de saúde e entidades ligadas ao segmento religioso. Uma das preocupações é desmistificar a relação das religiões de matriz africana com atos de magia negra, como o sacrifício de animais e seres humanos.

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eleio Ferreira, usou a história para revelar a importância de uma ação como esta. “Em 1888, o Brasil viveu um dos momentos mais importantes de sua história. Naquele ano, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, cujo objetivo foi acabar com a escravidão no país. Hoje, 124 anos depois, esse marco ainda não foi alcançado em sua plenitude, por isso, uma iniciativa como esta é de fundamental importância para reparar erros do passado, que continuam vivos na nossa cultura”, defendeu.

Segundo Jorge Arruda, secretário executivo do CEPIR, o lançamento da campanha atendente a determinação da secretária Laura Gomes, titular da SEDSDH, na prevenção à violência simbólica (que corresponde aos atos de preconceito de raça, gênero, religião) em Pernambuco. Ainda de acordo com o gestor, com a iniciativa, que segue até o final do ano com uma série de atividades, será possível promover uma cultura de paz nas 12 Regiões de Desenvolvimento do Estado.

Durante o evento, Paulo Moraes, secretário executivo da SEJUDH, entregou a cartilha “Enfrentamento ao Racismo Institucional no Campo Educacional” a professora da Escola Estadual Joaquim Távora, Ângela Maria da Silva, que na ocasião representou docentes de escolas das cidades de Carpina, Limoeiro e Camaragibe. O documento contribui para a aplicabilidade da Lei 10.639/03 e 11.645/08, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira.

Na oportunidade, o gestor da SEDSDH destacou que além do viés educacional, o Governo do Estado está preocupado com as diretrizes dos direitos humanos, no âmbito da promoção da cultura de paz do Pacto pela Vida. “Está previsto para o mês de setembro a inauguração do Centro de Apoio aos Povos Tradicionais e o Centro Estadual de Combate ao Racismo (CRER), ambos vinculados ao Sistema Estadual de Proteção. Eles serão compostos por equipes técnicas interdisciplinares que farão o atendimento à população respectiva, assim como no apoio aos casos concretos de racismo, no acompanhamento de inquéritos e processos judiciais e no apoio psicossocial das vítimas”, pontuou.

Pioneirismo – O Governo de Pernambuco é destaque em nível nacional pelo trabalho que realiza no combater as discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero, aumentando a participação de minorias no processo político, no acesso à educação, saúde, emprego, bens materiais, entre outros. Ações Afirmativas como o Curso de Formação de Sacerdotes e Sacerdotisas de Matriz Africana, único no país reconhecido pelo MEC, comprovam a preocupação da gestão com o resgate histórico e a reparação de danos à cultural afro cometidas no passado. O trabalho é coordenado pela SEDSDH, em parceria com o CEPIR.