Atitude é modelo de política de prevenção às drogas
NOTÍCIAS- 03/2/2017
- 17h35min
(com informações da Agência Brasil e Carta Capital)
O programa Atitude – Atenção Integral aos Usuários de Drogas e seus Familiares – foi considerado modelo de política pública que reduz de forma efetiva o uso de crack pela pesquisa inédita da Open Society Foundations (OSF). O programa do Governo de Pernambuco é coordenado pela Executiva de Políticas Sobre Drogas da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ).
O relatório Crack: Reduzir Danos – Lições Brasileiras de Saúde, Segurança e Cidadania, lançado nesta semana em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, revela que 39% das pessoas ouvidas disseram ter diminuído ou interrompido o consumo e 91% afirmam que sua saúde melhorou com o Atitude. O relatório da OSF, ONG com sede em Nova York, é feito em parceria com o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e o Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos da Unicamp.
Além do programa Atitude, o relatório da Open Society apresenta outras duas experiências: Aproximação – A cena de drogas da Rua Flavia Farnese, realizado pela ONG Redes da Maré, do Rio de Janeiro, e o “Programa de Braços Abertos”, da Prefeitura de São Paulo. Baseados nos princípios dos direitos humanos, os três programas têm uma abordagem sem repressão e de redução de danos, com tratamento que não exige a abstinência dos usuários.
Ao ser questionado em coletiva em São Paulo, o diretor da OSF, Abramovay, disse que as três abordagens poderiam, sim, servir de base para construção de uma política nacional de enfrentamento ao crack. “As três (experiências) são muito locais e eu acho que o envolvimento local tanto da comunidade como da prefeitura é fundamental, mas o governo federal pode induzir essas políticas, dizer que apoia políticas desse tipo e validar esse tipo de atuação. Fazendo isso, abre espaço para que localmente você tenha alternativas concretas”.
ATITUDE – No levantamento sobre o Atitude, realizado em 2015 pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade, Violência e Política Pública de Segurança da Universidade Federal de Pernambuco (NEPS-UFPE), foram analisados os bancos de dados de quatro municípios atendidos (Recife, Caruaru, Jaboatão dos Guararapes e Cabo de Santo Agostinho, reunindo 5.714 usuários), além de 191 questionários e 30 entrevistas com beneficiários.
Dos que responderam ao questionário, 77% disseram se sentir protegidos pelo programa e de 91% dos participantes afirmam que sua saúde melhorou após ingressar no Atitude. A pesquisa também apontou que, embora a abstinência não fosse uma exigência, uma parcela dos beneficiários reduziu o consumo de crack e 36% afirmaram ter deixado de usar a droga.
Para leitura da pesquisa na integra acesse a OSF: www.osf.to/crackreduzirdanos
