Encontro de mulheres de terreiros busca o resgate matriarcal nas religiões de matriz africana
Sem categoria- 25/11/2015
- 14h30min
Para fazer o resgate matriarcal nas religiões de matriz africana, grupo de integrantes da Caminhada de Mulheres de Terreiro se reuniram no Núcleo de Cultura Afrobrasileira, no Pátio de São Pedro, Centro do Recife, na tarde desta terça-feira (24).
O debate “Caminhando com as Mulheres de Terreiro” foi uma extensão da Caminhada, que faz parte da programação do Mês da Consciência Negra, promovido pela Secretaria Executiva de Segmentos Sociais – por meio da Coordenadoria de Igualdade Racial – ambas vinculadas à Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ).
De acordo com Mãe Elza Torres, integrante da Coordenadoria de Igualdade Racial, a proposta é que o resgate matriarcal seja impulso para o autoreconhecimento das mulheres dentro das religiões de matriz africana, das quais são membros. “Chamamos essa conversa com o intuito de discutirmos as questões relacionadas exclusivamente às mulheres, para o entendimento de nossas questões, ligadas à vivência feminina nos Terreiros. Assim como descobrir o que não conhecemos ainda, estudo e prática dentro da religião”, disse.
A coordenadora do Núcleo de Cultura Afrobrasileira, Josiane Oliveira, falou que a importância de atos como os de hoje devem ser preservados por “empoderarem a mulher dentro dos Terreiros, para que sejam notadas, respeitadas como integrantes das religiões.” Sobre a prática do racismo, Josiane completa: “A consciência negra deve ser vivida diariamente. Por isso devemos preservar atos como este, sempre.”
As mulheres também apresentaram o desejo de formar uma cúpula feminina para discutir estas questões e, com isso, provocar a participação de Mães de Santo que falam sobre política, cantem música, recitem e gravem cantigas. “As mulheres deixaram de ser as “grandes Mães” e emprestaram este legado aos homens. As religiões tradicionais precisam reconhecer que as mulheres podem participar desses ritos, resgatar saberes e eternizar o matriarcado”, finalizou Mãe Elza.
Novembro – As atividades pelo Mês da Consciência Negra seguem até o próximo dia 30, com encerramento programado para o Pátio de São Pedro, a partir das 19h, onde ocorrerá a celebração do Mês e a lembrança dos 320 anos da morte de Zumbi dos Palmares.
