Estado oferece oportunidade de vida nova à re-educandos
Sem categoria- 10/2/2011
- 12h33min
O direito a novas oportunidades e perspectivas é uma necessidade vital para qualquer ser humano. O que se pode esperar de uma pessoa que foi excluída do convívio social e precisa reconstruir os laços com a sociedade? Para detentos que saem de longa reclusão social e deixam os presídios em busca de um novo rumo, a resposta pode representar um futuro melhor. Órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH), a Chefia de Apoio à Egressos e Liberados (CAEL) realiza o trabalho de inserção de presos egressos e em regime aberto no mercado de trabalho promovendo o resgate da cidadania.
Hoje, o número de parceiros da CAEL para contratações chega a 14 empresas e incluí instituições públicas e privadas. Um número que ainda provoca um impacto pequeno em relação aos cerca de 1.200 detentos que aguardam a sua oportunidade.
De acordo com a chefe da CAEL, Zuleide Lima, a principal barreira a ser vencida ainda é o preconceito. “Temos um trabalho de sensibilizar empresários através do agendamento de visitas às empresas. Mesmo assim, não é uma tarefa fácil. Só assinamos o termo se o contratante estiver aberto para nos receber”, afirma.
As vantagens para quem contrata é a isenção de encargos trabalhistas que chega a 80% do salário mensal dos funcionários. Mas, a maior recompensa ainda é poder contribuir com uma sociedade melhor.
Para o empresário, Antônio Cláudio, que aderiu ao programa, a preocupação maior da sua empresa é oferecer oportunidades aqueles que possuem no passado o peso de ter tirado uma vida. “Eu acredito que os homicidas são os que tem maior dificuldade para ingressar no mercado de trabalho. Não existe coisa pior do que tirar a vida de alguém. Então, o meu objetivo é dar oportunidade a quem realmente está precisando. Se ele foi realmente culpado, deve ser condenado e cumprir sua pena para sentir o peso da justiça. Mas ele deve sair dali sabendo que pode se tornar uma pessoa melhor”, acredita.
Um exemplo de que novas oportunidades podem ajudar a transformar histórias é o caso do “Seu Ed”. Junto aos outros funcionários, no galpão de trabalho, é difícil imaginar que as mãos que operam as máquinas são as mesmas responsáveis por 18 homicídios. Após cumprir a pena, teve sua carteira assinada pela primeira vez aos 57 anos. Casado e pai de 2 filhas é funcionário efetivado da indústria e trabalha em todos os setores da empresa. “Quem vai dar emprego a um homem de 58 anos de idade e com a minha história? Aqui eu faço de tudo e agradeço à Deus pela oportunidade”, afirma.
Um banco de emprego com o perfil dos candidatos está disponível na CAEL para solicitação de vagas para contratantes. As entrevistas são feitas por uma psicóloga que seleciona o funcionário. Quem está na fila de espera participa de cursos de capacitação profissional. É o caso do convênio formado com o Espaço Ciência e CERPO que oferece aulas de inclusão digital e manutenção de microcomputadores. Outra parceria com o Convênio Tavares Bureau e a Casa da Cidadania é responsável por reconstruir a cidadania dos re-educandos e seus familiares, retirando às suas documentações.
Para continuar a transformar histórias, a CAEL ainda procura empresários solidários que estejam dispostos à desenvolver o trabalho nas suas empresas. “Estamos tentando promover um resgate junto à sociedade civil no apoio ao desenvolvimento desse trabalho. As informações que chegam através da mídia são de rejeição à estas pessoas o que dificulta as nossas ações. Mas, acreditamos que ampliando este trabalho podemos vencer este preconceito e transformar esta realidade”, completa Zuleide Lima.
Contato para empresas interessadas:
Chefia de Apoio à Presos Egressos e Libertos
F: 3183-3175 / 3183-3176
