GOVERNO DO ESTADO REPASSA VERBA PARA OS PEQUENOS PROFETAS
Sem categoria- 11/2/2011
- 19h30min
O governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSDH), está firmando convênio na ordem de R$ 288 mil para a constituição do 1º Centro de Atendimento a Usuários de Drogas II e continuará com convênio na ordem de R$ 90 mil para a constituição de um Centro da Criança e do Adolescente – CCA I. A verba beneficia a organização não-governamental Comunidade Pequenos Profetas (CPP), que tem como prioridade transformação de uma granja em um abrigo, em Igarassu, Região Metropolitana do Recife. O objetivo é tratar dependentes químicos da Região Metropolitana do Recife.
A CPP faz parte do Programa Vida Nova com uma unidade do Centro da Criança e do Adolescente – CCA I, que está inserido na ação do Pacto Pela Vida e procura resgatar a cidadania de crianças e adolescentes que vivem na rua, valorizar a cultura e dar assistência durante todo o dia. A ONG foi fundada há 24 anos e atende cerca de 327 crianças e jovens, por mês, em vulnerabilidade social.
A Comunidade dos Pequenos Profetas participa da campanha do Governo Federal, “8 Jeitos de Mudar o Mundo”, que pretende reduzir a mortalidade infantil, erradicar a extrema pobreza e a fome. Em 2008, a ONG foi também uma das 20 práticas vencedora do Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio – ODM, entre 1.062 práticas, concedido pelo presidente e pela Organização das Nações Unidas – ONU. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD elegeu a Comunidade dos Pequenos Profetas como uma das 50 melhores práticas de desenvolvimento do Brasil.
Outra conquista foi quando a ONG fez uma parceria, em setembro, com a Secretaria de Educação do Estado e tornou-se a primeira a introduzir tela-aulas na Região Metropolitana do Recife. Os meninos de rua assistem às aulas com acompanhamento de uma pedagoga, das 9h às 11h30, em quatro turmas de 12 alunos e tem a oportunidade de concluir o ensino fundamental em apenas um ano.
Dança, arte com produtos recicláveis e alfabetização são exemplos de atividades que visam recuperar os meninos, de 7 a 21 anos, que estão em situação de risco. Eles também contam com atendimento médico e psicológico. No ateliê de artes, os jovens produzem artesanatos com materiais recicláveis, como garrafa pet, papel de fax, folhas de jornais, pastilhas de azulejo, entre outros. Esses materiais chegam até a unidade através de doações de pessoas físicas e/ou jurídicas. Na esfera da música e da dança, formou-se o grupo Afro, que, constantemente, realiza apresentações dentro e fora da entidade.
O secretário de Estado, Roldão Joaquim, parabeniza o trabalho da CPP. “Tenho muita admiração pela ONG, que desempenha um trabalho merecedor do reconhecimento da sociedade. Esse trabalho, juntamente com o Programa Vida Nova e o Pacto pela Vida, consegue resgatar as crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social, proporcionando uma vida digna.”
Cada jovem participante tem uma história de vida. Edvânia Oliveira, 20, encontrou uma família no CPP. “Nós ganhamos carinho e amor de todos os educadores, principalmente de Demetrius, que é um pai para mim”, ressalta a jovem. Para Demetrius, que também é fundador da instituição, é uma satisfação muito grande trabalhar com os jovens tão excluído da sociedade, pois lá, eles têm dignidade humana. “Os meninos de rua podem vir aqui a qualquer momento, participar das atividades que oferecemos e fazer refeições”, informou o coordenador.
Carlos Barbosa, 31, e Jailson Freitas, 33, entraram na ONG quando adolescentes. Eles foram recuperados. Hoje, eles trabalham como educadores na própria entidade. Além deles tem Carlos Henrique, 17, que morava na rua e, desde os 12 anos, frequenta a entidade. “ Aqui não é só uma casa de acolhimento, ela também salva vidas”, afirmou o jovem que, atualmente, trabalha em uma loja de um shopping da cidade.
Os idealizadores e pedagogos da Comunidade dos Pequenos Profetas basearam a pedagogia de ensino na realidade do cotidiano dos jovens. Segundo a pedagoga Graça Fittipaldi, 90% dos alunos da ONG são analfabetos. Alguns chegam a ter o primeiro contato com a educação no “coleginho”, assim chamado por eles. “Nós trabalhamos com textos que falam sobre violência, exclusão social e aplicamos os direitos do cidadão e do Estatuto da Criança e do Adolescente, para que eles possam ter conhecimento dos direitos e deveres”, afirmou Graça.
A entidade entende que todas as formas de ensino são muito importantes para os jovens que nunca foram alfabetizados ou largaram os estudos por sofrer preconceitos por serem meninos de rua. “Na escola normal, os meninos sofriam preconceito, até pelos próprios professores, por morarem nas ruas e se envolverem com drogas”, apontou a pedagoga.
Serviço: ONG Comunidade dos Pequenos Profetas – CPP
Enderenço: Rua Imperial, 185 – Bairro São José – Recife/PE. CEP: 50090-000
Fone/FAX: 55 81 3424-7481
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