SDSCJ articula audiência pública sobre intolerância religiosa aos terreiros
NOTÍCIAS- 28/11/2016
- 16h19min
Para fechar a programação do mês da Consciência Negra, a Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude (SDSCJ), por meio da Executiva de Segmentos Sociais, articulou uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) para debater sobre “Violação dos Direitos à Religiosidade de Matriz Africana durante o período da Ditadura Militar”. Na manhã desta segunda-feira (28), o relatório da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, que aborda a repressão política aos meios religiosos de matriz africana durante a ditadura militar (1964-1985), foi entregue a Comissão de Cidadania, Direitos Humanos e Participação Popular da Alepe, na primeira audiência do Brasil, com respaldo jurídico sobre o tema.
O secretário estadual da SDSCJ, Isaltino Nascimento, acompanhou a audiência e foi um dos motivadores deste momento ao fazer a ponte entre sacerdotisas das religiões africanas e a Comissão da Verdade. “Estamos finalizando o mês da consciência negra nesta audiência, que é um momento importante para formalizar essas denúncias das violações sofridas pelos terreiros”, disse Isaltino.
Ao final da sua fala Isaltino sugeriu que a Alepe fizesse uma publicação sobre o resgate ao povo negro, com um capítulo sobre as celebrações religiosas de matriz africana. A decisão foi acatada pelo deputado Edilson Silva, que presidiu a mesa da audiência na Alepe, e disse que irá encaminhar o relatório da Comissão ao Ministério Público de Pernambuco para providências civis ou penais.
Mãe Elza, integrante da Secretaria Executiva de Segmentos Sociais fez a abertura da audiência com um canto dos terreiros, acompanhado de Ivo de Xambá no tambor. Ambos trouxeram seus relatos para a audiência sobre as violações sofridas ao longo dos anos e esperam que após esse evento sejam tomadas as medidas cabíveis.
“Retratar o martírio e o crime sofrido pelo povo de terreiro nesta audiência é uma medida importante da SDSCJ junto com a Comissão da Verdade. Acreditamos que, em nome da ancestralidade aqui presente, ao formalizar essas violações nesta casa do diálogo estamos a um passo de que as violações sofridas sejam investigadas”, disse Elza.
Para finalizar a última audiência da comissão, Manoel Moraes, relator da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara, disse que a luta pelos direitos humanos é quase utópica, por isso espaço como este são importante. “Aqui todos que desejaram fizeram uso da voz. Esta é a grande diferença dos tempos da ditadura, quando não havia a liberdade de expressão”, disse ele.
Mais de dez pessoas falaram na tribuna sobre o tema de violações de direitos humanos aos meios religiosos de matriz africana desde os anos de 1930 até atualmente. A prova concreta de que a perseguição aos terreiros continua até os dias de hoje foi o relato feito por Mãe Valda de Pirapama, quase ao final da audiência. Ela contou sobre as agressões verbais recebidas por comentários na internet, por conta de uma postagem nas redes sociais, em que ela convidava para uma celebração a população do Cabo.
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